DESEJO OU NECESSIDADE

22:02

Ás vezes dou por mim a pensar se preciso disto ou daquilo. E cheguei à conclusão que confundo/confundia muito as minhas necessidades com os meus desejos.


Eu não preciso de ter, arrisco-me a dizer, um terço das coisas que tenho. Não que eu seja consumista, aqui ninguém me conhece para que o possa confirmar, mas já aqui o disse muitas vezes que sou muito forreta. Portanto não se trata de uma questão de reduzir o consumismo. Trata-se de uma questão de pensar as vezes que forem necessárias antes de comprar seja o que for.


Não sei se todas as pessoas passam por este fase de olhar à sua volta e pensar porque é que tem este ou aquele item. Mas eu percebi isso há coisa de ano e meio. Eu não tenho um closet, nem um carro em meu nome sequer, nem uma casa, nem um animal de estimação. A única coisa que tenho em meu nome é o cartão de cidadão. E um seguro feito à dois meses. Ainda assim tenho coisas que nunca pedi, que me ofereceram, e algumas que os meus pais pagaram e outras compradas por mim.


Tenho a dizer-vos que não vou vender nada, mas que há muita coisa que não uso todas as semanas. E fico a pensar nisso. Não terei coisas a mais? Precisarei disto tudo? Não actualmente, pelos vistos. Sempre doei roupa e ajudei, e ainda o faço. Mas além disso há excesso.


Eu brevemente vou tornar-me independente e tenho reparado que apenas quero o essencial. Objectos de decoração para mim só os que forem adquiridos em viagens ou que tenham alguma serventia. Roupa? Só o que realmente uso. Perfumes? Escolher um para a vida e livrar-me dos restos. Sapatos..bem quanto a isto nunca tive muitos sapatos. Os suficientes para alternar pelo bem dos meus pés e do meio ambiente neh. Mas caramba. Eu não quero vir a ter coisas para encher um espaço, para ficarem a ganhar pó sem um significado, para ficarem a encher as gavetas. Quero ter o essencial e então depois obter algo da minha lista de desejos. Quer a nível de bens para a casa quer a nível de compras de supermercado, marcas, promoções, a todos os níveis. E eu nem me considero uma pessoa materialista. 
Agora vou fazer um exercício. Vou olhar a minha volta e ver o que está a mais e colocar aqui numa listinha. 

  • puf | oferecido | nunca me sento nele - quero reutiliza-lo na minha casa, mudar a capa e colocar na varanda, aposto que vou usar muito mais vezes lá
  • almofadas da cama | compradas pela minha mãe - uma ou duas ainda tolero. Conto 8 e as que já a convenci que não queria mesmo
  • mantinhas | duas oferecidas + 2 compradas - algo que posso levar para a minha casa e usar. Aqui apenas uso sempre as mesmas duas
  • molduras | tenho há minha frente uma moldura sem fotografia, recebi no natal. Não tem fotografia porque é necessário cortar uma de 10x15 e eu tenho sempre pena. Desta moldura posso tratar. Tenho mais umas quantas guardadas numa caixa porque já não há lugar onde colocar. Ridículo. Culpa da minha mãe. Apaixonada por molduras e fotografias. Louca! 
  • folhas de rascunho | guardo sempre. Nunca uso. 

Fim do exercício. Isto não esta mal para quem limpou o "sem serventia" há um ano e pouco. Posso dizer-vos que tirei muitos objectos sem serventia que apenas decoravam. E também vos posso dizer que as minhas decorações se resumem a: caixas com: velas, marcadores, imans de férias, colares [uso sempre o mesmo, um de prata fino, desde o dia que o comprei, nunca o tiro para nada desta vida], livros, velas, aquelas cenas de cheiro com paus [não sei o nome técnico disso], um porco dourado para o dinheiro [vazio], uma molécula de madeira desmontável e um mocho que devem ser as duas únicas peças sem serventia que ficaram por terem significado.


Vivo muito melhor com o essencial e o ar fica mais leve. Acreditem que não fica com um ar minimalista, vazio, inabitado. Fica algo que me define mais enquanto pessoa. Quando alguém entre vê aquilo que eu espelho. As minhas escolhas. Os meus essências.


Quis partilhar aqui esta fase pela qual estou a passar, partilhar o exercício que há um ano e pouco que eu não fazia mas que ainda faz sentido passado esse tempo. Talvez seja uma mudança pessoal e não uma mudança pelo qual todas as pessoas passem. Não sei, digam-me se também tiveram uma fase idêntica ou se sou só eu que não bato bem da cabeça e penso em livrar-me de coisas que estão aqui sem fazer mal a ninguém. Já agora, as coisas estão em caixas porque nunca se sabe, eu não sou aquela pessoa de deitar fora. 

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